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Arranquei O Microfone Da Minha Sogra No Meu Casamento — Então Descobri Que Meu Marido Foi Pago Para Se Casar Comigo

Augusto continuou olhando para minha mãe como se os trinta anos de casamento entre eles tivessem desaparecido dentro daquele cofre.

— Explicar o quê, Sônia?

Minha mãe não respondeu.

Eu ainda segurava a fotografia. O homem ao lado dela devia ter pouco mais de trinta anos quando aquela imagem foi tirada. Alto, cabelos escuros, camisa clara, uma das mãos apoiada no ombro de Sônia. Não parecia um estranho que tivesse entrado por acaso na foto. Havia intimidade demais naquele gesto.

— Mãe, quem é ele?

Sônia enxugou o rosto.

— O nome dele era Eduardo Valença.

Augusto se virou abruptamente.

— Era?

— Ele morreu há vinte e oito anos.

— E por que sua mãe escreveu "quando chegar a hora de saber quem é seu pai"?

Minha mãe fechou os olhos.

— Porque Teresa queria destruir nossa família.

— Não coloca isso nela — Augusto respondeu. — Ela está morta. Você está aqui.

Eu nunca tinha ouvido meu pai falar daquele jeito com minha mãe.

— Pai...

— Não, Camila. Agora eu também quero ouvir.

Sônia se apoiou na mesa.

— Eduardo não era meu irmão de sangue. Ele era filho do primeiro casamento do meu padrasto. Nós crescemos na mesma casa durante alguns anos, mas não éramos parentes.

Meu estômago se contraiu.

Augusto entendeu antes de mim.

— Você teve um relacionamento com ele.

Sônia assentiu.

— Antes de conhecer você.

O silêncio ficou pesado.

— E Camila? — meu pai perguntou.

Minha mãe olhou para mim.

— Quando conheci Augusto, eu já tinha terminado com Eduardo. Pouco depois descobri que estava grávida.

Augusto recuou.

— Você me disse que ela era minha.

— Porque eu acreditava nisso.

— Acreditava ou precisava acreditar?

Minha mãe começou a chorar novamente.

Eu não conseguia suportar aquilo.

— Chega. Uma fotografia não prova nada.

Augusto me olhou. A raiva desapareceu por um instante.

— Você tem razão.

A funcionária do banco permaneceu perto da porta, claramente desconfortável. Pedi alguns minutos a sós e ela saiu.

Voltei à pasta preta.

— Seja quem for meu pai biológico, alguém passou quatro anos tentando colocar Rafael perto de mim por causa disto. É nisso que precisamos focar.

Abri a pasta.

Havia cópias de escrituras, registros empresariais e páginas de um testamento. No alto de vários documentos aparecia o nome Teresa Valença.

Minha mãe se aproximou.

— Esse é o testamento original.

— Você já viu?

— Uma vez. Antes de desaparecer.

Augusto começou a folhear as páginas.

— Aqui diz que Camila receberia participação em empresas e imóveis.

— Quanto? — perguntei.

Sônia demorou a responder.

— Quando Teresa morreu, talvez vinte milhões de reais.

Rafael não tinha sido pago para se aproximar de uma mulher qualquer.

Eu era herdeira de uma fortuna que nem sabia existir.

— E hoje?

Minha mãe respirou fundo.

— Dependendo do que aconteceu com os ativos... muito mais.

Peguei o pen drive.

— Então isso provavelmente explica por que alguém ainda está interessado.

Saímos do banco levando tudo. Augusto quase não falou durante o caminho. Eu podia sentir a distância entre meus pais crescendo dentro do carro.

Quando chegamos ao apartamento deles, Rafael estava esperando no corredor.

Levantei a mão antes que ele falasse.

— Eu não pedi para você vir.

— Eu sei.

Ele segurava um envelope pardo.

— Mas alguém deixou isso no meu apartamento.

Meu pai imediatamente ficou alerta.

— Quem?

— Não sei. O porteiro disse que um motoboy entregou.

Rafael me deu o envelope.

Dentro havia uma única folha.

Uma fotografia minha saindo do banco menos de uma hora antes.

No verso, uma frase impressa:

“O cofre deveria ter permanecido fechado.”

Minha mãe levou a mão ao peito.

— Eles estão seguindo vocês.

Meu pai fechou a porta e trancou.

Rafael olhou para a pasta preta.

— Vocês encontraram?

— Encontramos coisas demais.

Ele percebeu a fotografia antiga sobre a mesa.

— Quem é esse homem?

— Eduardo Valença.

O rosto de Rafael mudou.

— Eduardo?

— Você conhece esse nome?

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

— Foi um dos nomes que Marcelo mencionou quando me contratou.

Meu coração disparou.

— Você disse que não sabia quem estava por trás.

— E não sabia. Marcelo falou uma vez que "Eduardo deixou um problema que precisava ser corrigido". Na época não entendi.

Augusto pegou o pen drive.

— Precisamos descobrir o que tem aqui.

Usei um notebook antigo que meu pai mantinha sem conexão com a internet. Havia dezenas de arquivos digitalizados. Extratos bancários, contratos, gravações de áudio.

E uma pasta chamada CAMILA.

Dentro dela havia apenas um vídeo.

A data indicava que fora gravado poucos dias antes da morte de Teresa.

Cliquei.

Uma senhora apareceu diante da câmera. Minha mãe começou a soluçar.

— É ela.

Teresa olhava diretamente para a lente.

“Se Camila estiver assistindo a isto, significa que conseguiu chegar ao cofre.”

Minha pele arrepiou.

“Há pessoas dentro da família que farão qualquer coisa para impedir que você receba o que deixei. Mas o dinheiro não é o verdadeiro motivo.”

Olhei para minha mãe.

Teresa continuou:

“O fundo guarda documentos capazes de provar crimes cometidos pelo Grupo Valença durante mais de vinte anos.”

Augusto se aproximou da tela.

“Eduardo descobriu parte deles. Por isso corre perigo. E se alguma coisa acontecer comigo ou com ele, não acredite que foi acidente.”

Rafael ficou imóvel.

Eduardo morrera dois anos depois.

— Como ele morreu? — perguntei.

Sônia respondeu quase sem voz:

— Acidente de carro.

Ninguém precisou comentar.

No vídeo, Teresa respirou profundamente.

“Existe uma pessoa em quem confio. Ela guardará a chave até Camila completar trinta anos. Se essa pessoa falhar, procure os registros da Fundação Santa Cecília.”

A gravação falhou por alguns segundos.

Depois Teresa voltou a aparecer.

“E, Camila, antes que alguém use sua origem contra você, precisa saber uma coisa sobre Eduardo.”

Minha mão encontrou a de Augusto sem que eu percebesse.

Teresa abriu um documento diante da câmera.

“Eduardo acreditava ser seu pai. Mas estava errado.”

Sônia soltou um gemido.

Eu parei de respirar.

A gravação continuou.

“O resultado está entre os documentos da Fundação. Seu verdadeiro pai nunca soube que você existia.”

A imagem congelou.

Então surgiu uma última sequência gravada aparentemente em outro dia.

Teresa estava chorando.

“Se Marcelo encontrar você primeiro, não diga que sabe disso. Porque Marcelo não trabalha para os Valença.”

Meu pai aproximou o rosto da tela.

Teresa pronunciou as palavras seguintes lentamente:

“Ele trabalha para o homem que é seu verdadeiro pai.”

Nesse instante, o celular de Rafael tocou.

Ele olhou para a tela e empalideceu.

— É Marcelo.

— Não atende — minha mãe disse.

Rafael colocou no viva-voz.

— Alô?

Do outro lado, uma voz masculina respondeu calmamente:

— Entregue o pen drive, Rafael. Você já falhou comigo uma vez.

Rafael olhou para mim.

Então Marcelo completou:

— E diga à Camila que, se realmente quer saber quem é o pai dela, venha sozinha. Porque ele está esperando há trinta anos para conhecer a filha que disseram a ele que nasceu morta.

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