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Arranquei O Microfone Da Minha Sogra No Meu Casamento — Então Descobri Que Meu Marido Foi Pago Para Se Casar Comigo

Rafael leu o nome do pai três vezes, como se insistir pudesse transformar aquelas letras em outra coisa.

— Roberto não faria isso.

Helena ainda estava no telefone. Do outro lado, ouvi sua respiração mudar.

— Rafael... existe uma coisa que nunca contei.

Ele ergueu os olhos.

— O quê?

— Antes de você nascer, seu pai passou alguns meses trabalhando à noite. Ele dizia que precisava cuidar de uma situação para uma antiga patroa.

Otávio se aproximou do telefone.

— Em que ano?

Helena respondeu.

Era o ano do meu nascimento.

Meu corpo inteiro gelou.

— Onde está o restante da gravação? — perguntei.

— Aqui comigo.

— Não entregue para ninguém. Estamos indo.

Antes de sair, fotografei os documentos encontrados no arquivo de Otávio e guardei os originais numa pasta. Eu já tinha aprendido que, naquela família, qualquer prova deixada para trás podia desaparecer.

Na casa de Helena, ouvimos a gravação inteira.

A voz de Roberto surgiu fraca, provavelmente já durante sua doença.

“Você disse que a segunda menina estaria segura.”

Marcelo respondeu:

“E esteve.”

“Então por que Henrique está procurando por ela?”

Meu coração acelerou.

Rafael parou o áudio.

— Henrique procurava a outra criança?

— Continua — pedi.

Roberto voltou:

“Teresa deixou instruções claras. Camila ficaria com Sônia. A outra menina precisava desaparecer dos registros até sabermos quem tinha matado Daniel.”

Sônia levou a mão à boca.

— Então minha mãe realmente autorizou.

Otávio parecia perdido.

— Teresa nunca me contou sobre outra criança.

A gravação continuou.

Marcelo perguntou:

“E você nunca contou a Rafael?”

Roberto respondeu:

“Não. Ele não precisa saber que tem uma ligação com aquela menina.”

Rafael congelou.

— Comigo?

Helena começou a chorar.

— Rafael...

Ele olhou para a mãe.

— Você sabe quem ela é.

Helena não respondeu.

Foi suficiente.

— Mãe, quem era aquela criança?

— Eu não sabia de onde ela tinha vindo.

— Quem?

Helena sentou.

— Seu pai chegou em casa naquela tarde carregando um bebê.

O silêncio se tornou insuportável.

— Ele disse que a mãe estava em perigo e que ficaríamos com a menina por alguns dias.

— E depois?

— Três semanas depois, uma mulher veio buscá-la.

— Quem?

Helena fechou os olhos.

— Teresa.

Minha mãe começou a chorar.

— Isso aconteceu antes de ela morrer.

— Sim.

— E para onde levou o bebê?

— Roberto nunca me contou.

Otávio caminhou de um lado para o outro.

— Precisamos saber quem era a mãe.

— Não — falei. — Precisamos saber por que havia duas crianças ligadas ao meu nascimento.

Voltei aos documentos.

Foi Augusto quem encontrou a inconsistência.

— Camila nasceu às 11h42.

Apontou para o segundo registro.

— Esta menina nasceu às 11h51.

Sônia empalideceu.

— Eu não tive gêmeas.

— Tem certeza? — Rafael perguntou.

Minha mãe virou-se furiosa.

— Eu estava consciente!

Então aquilo não fazia sentido.

Duas crianças.

Mesma madrugada.

Mesmo arquivo.

Teresa interferindo nos registros das duas.

Rafael pegou o pen drive.

— Talvez a pasta CAMILA tenha sido criada para esconder outra coisa.

Pesquisamos pelo horário 11h51.

Um arquivo apareceu.

Era um documento digitalizado quase ilegível.

No campo “mãe”, porém, havia um nome.

Marina Bastos.

Otávio parou de respirar.

— Marina.

— Quem é? — perguntei.

Ele demorou a responder.

— Irmã de Henrique e Daniel.

Minha mãe ficou imóvel.

— Ela estava grávida?

— Ninguém sabia.

Comecei a compreender.

— Então a segunda criança era uma Bastos.

— Talvez — disse Augusto.

Rafael continuou examinando.

— Tem uma anotação: mãe falecida durante transferência.

Helena fez o sinal da cruz.

Otávio sentou lentamente.

— Marina desapareceu naquele ano. Henrique dizia que ela tinha ido para Portugal.

— Mentiu — falei.

— Parece que sim.

Meu telefone tocou.

Henrique Bastos.

Dessa vez atendi.

— Encontrou o registro de Marina? — ele perguntou.

— Como sabe?

— Porque Marcelo me avisou que vocês chegaram ao arquivo de Otávio.

— Quem era a filha dela?

Henrique ficou em silêncio.

— Encontre comigo e eu conto.

— Já chega de encontros secretos.

— Então pergunte a Rafael por que o nome dele aparece no documento de adoção.

Todos olharam para ele.

Rafael empalideceu.

— Que documento?

Henrique riu.

— Ele realmente não sabe.

A ligação terminou.

Helena começou a chorar.

Rafael virou para ela.

— Mãe.

— Eu juro que não sei do que ele está falando.

Mas Otávio já procurava outra pasta.

Encontrou registros civis ligados ao Projeto Aurora.

Depois de alguns minutos, retirou um documento.

— Aqui.

Era uma certidão de adoção.

Rafael Almeida.

Adotado legalmente por Roberto e Helena Almeida quando tinha oito meses.

Rafael ficou sem reação.

Helena levantou-se.

— Não.

— Mãe...

— Você é meu filho.

— Eu sei. Mas você sabia que eu era adotado?

Ela chorava.

— Sabia.

Rafael fechou os olhos.

— E nunca me contou.

— Roberto dizia que sua família biológica representava perigo.

Eu peguei o documento.

A data de nascimento de Rafael era oito meses anterior à minha.

Portanto ele não podia ser a segunda criança.

Mas havia um nome parcialmente apagado no campo da mãe biológica.

Conseguimos ler apenas o sobrenome.

Bastos.

Rafael sentou.

— Minha mãe era uma Bastos?

Otávio pegou o documento e ficou branco.

— Não pode ser.

— O quê?

Ele apontou para o número do registro.

— Este código pertence aos documentos particulares de Marina.

Minha mente acelerou.

— Mas Marina morreu dando à luz a menina.

Otávio balançou a cabeça.

— Talvez esse registro também tenha sido falsificado.

Meu celular recebeu outra mensagem.

Desta vez não era de Marcelo.

Era de Henrique.

Uma fotografia recente mostrava uma mulher de aproximadamente trinta anos saindo de um prédio em Belo Horizonte.

A legenda dizia apenas:

“A segunda criança.”

Rafael aproximou a imagem.

Então deixou o telefone quase cair.

— Eu conheço essa mulher.

— Quem é?

Ele me olhou como se finalmente entendesse algo terrível.

— Patrícia.

Meu coração disparou.

Eu conhecia aquele nome.

Patrícia Nogueira tinha trabalhado comigo durante seis anos. Fora minha melhor amiga na faculdade, minha confidente e a pessoa que havia me apresentado a Rafael numa festa quatro anos antes.

— Foi ela que apresentou você a mim.

Rafael assentiu lentamente.

Helena levou a mão à boca.

E uma nova mensagem de Henrique apareceu:

“Pergunte a Patrícia quem pagou para ela colocar Rafael no seu caminho.”

Naquele instante, compreendi que nosso encontro talvez nunca tivesse sido organizado por Marcelo.

Rafael podia ter sido contratado para se aproximar de mim.

Mas alguém precisara colocá-lo exatamente diante de mim.

E essa pessoa estivera ao meu lado muito antes dele.

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