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Tirei Minha Aliança No Nosso Aniversário De Casamento — Então Minha Sogra Revelou O Segredo Que Minha Família Escondeu Por 30 Anos

— Você estava no carro com minha mãe?

Roberto abriu os olhos, mas não respondeu.

Eu ainda segurava o telefone junto ao ouvido. Henrique permanecia na linha, silencioso, como se soubesse que já tinha feito o suficiente para destruir qualquer confiança que começara a existir entre nós.

— Responde — repeti.

— Estava.

A palavra caiu dentro daquela casa como uma pedra.

Gustavo avançou imediatamente.

— E deixou a polícia acreditar que Helena estava sozinha?

— Não foi assim.

— Então explica como foi — eu disse.

Roberto passou as mãos pelo rosto.

— Naquela noite, Helena me ligou dizendo que tinha conseguido uma prova definitiva contra quem desviou o fundo de Gustavo. Ela estava apavorada. Pediu que eu a encontrasse.

— Onde?

— Perto de Contagem. Eu entrei no carro dela e seguimos em direção a um escritório onde ela tinha deixado cópias de documentos.

Henrique interrompeu pelo telefone:

— Pergunta por que ele saiu do carro.

Roberto cerrou a mandíbula.

— Porque discutimos.

— Sobre o quê? — perguntei.

Ele olhou para a chave em minha mão.

— Sobre aquilo que estava no cofre.

— O testamento?

— Não apenas.

Meu peito apertou.

— Então o que mais?

Roberto hesitou.

— Um extrato bancário.

Henrique soltou uma risada seca do outro lado da linha.

— Finalmente.

— Cala a boca, Henrique — Gustavo disse.

Roberto continuou:

— Helena descobriu que o dinheiro do fundo não tinha sido desviado diretamente para Vera. Parte passou por uma empresa intermediária.

— De quem?

Ele abaixou os olhos.

— Minha.

Fiquei imóvel.

Gustavo avançou.

— Você roubou meu dinheiro?

— Não. Minha empresa foi usada.

— Sem você saber?

— No começo, sim.

Aquela última expressão me atingiu.

— No começo?

Roberto respirou fundo.

— Quando descobri, anos já tinham passado. Eu estava endividado. Paulo me procurou e disse que poderia resolver tudo se eu assinasse alguns documentos retroativos.

Paulo.

Até aquele momento, ele parecera o homem culpado apenas por ter aceitado a mentira de Vera.

Agora tudo mudava novamente.

— Meu pai participou do desvio? — Gustavo perguntou.

— Participou.

Ele ficou olhando para Roberto, incrédulo.

— Então os dois que me criaram roubaram um fundo deixado pelo meu pai biológico.

— Foi mais complicado.

— Todo mundo diz isso antes de confessar alguma coisa monstruosa.

Roberto não respondeu.

Eu voltei à pergunta principal.

— Por que você saiu do carro da minha mãe?

— Helena descobriu minha assinatura nos documentos e acreditou que eu tinha participado desde o início. Discutimos. Ela me mandou descer.

— Onde?

— Num posto na BR-040.

— E depois?

— Ela foi embora sozinha.

— Quanto tempo antes do acidente?

— Cerca de quarenta minutos.

Meu coração batia violentamente.

— Você contou isso à polícia?

— Não.

— Por quê?

— Porque eu sabia como pareceria. Eu tinha discutido com ela, minha assinatura estava ligada ao dinheiro e Helena morreu pouco depois.

Senti uma raiva quase física.

— Então você protegeu a si mesmo.

Ele não tentou negar.

— Sim.

A honestidade tardia doeu mais.

Henrique voltou a falar:

— Agora pergunta sobre o carro preto.

Roberto virou-se para o telefone.

— Como você sabe disso?

Meu corpo gelou.

— Que carro?

Roberto demorou.

— Quando desci no posto, havia um sedã preto parado do outro lado. Eu já tinha visto o mesmo carro perto da casa de Helena dias antes.

— Você viu quem dirigia?

— Não.

— E nunca contou?

— Não.

Fechei os olhos.

Minha mãe passara seus últimos dias cercada por pessoas que sabiam que ela estava com medo e, depois da morte, todos escolheram proteger alguma coisa.

Dinheiro. Família. Reputação. A si mesmos.

— Amanhã vamos ao banco — eu disse.

Henrique respondeu imediatamente:

— O cofre não está mais lá.

Olhei para a chave.

— O quê?

— Helena transferiu o conteúdo semanas antes de morrer.

— Para onde?

— Isso eu não sei.

Roberto pareceu surpreso de verdade.

— Ela nunca me contou.

— Porque já não confiava em você — Henrique disse.

Gustavo pegou o telefone da minha mão.

— Por que está nos ajudando?

Silêncio.

— Henrique?

— Porque aquilo que vocês estão procurando também pode provar que eu não tive nada a ver com a morte de Helena.

— Ninguém disse que teve.

— Roberto pensou.

Todos olharam para ele.

Roberto confirmou com um pequeno movimento de cabeça.

— Eu suspeitei de Henrique porque ele tinha mais a perder se o testamento aparecesse.

— E você estava errado — Henrique respondeu. — Na época do acidente, eu estava em São Paulo. Existem registros de hotel, voos e uma reunião com quinze pessoas.

— Então quem seguia minha mãe? — perguntei.

— É isso que vocês precisam descobrir.

A ligação terminou.

Durante alguns segundos, só ouvimos nossa própria respiração.

Gustavo colocou o telefone sobre a mesa.

— Vamos voltar para o apartamento.

— Por quê?

— Porque quero ouvir Paulo.

Voltamos para Lourdes pouco depois da meia-noite.

Quando entramos, Vera estava sentada no sofá. Paulo não estava.

— Onde ele foi? — Gustavo perguntou.

Ela levantou-se.

— Embora.

— Para onde?

— Não disse.

Contei sobre a empresa de Roberto.

Vera fechou os olhos.

— Então vocês descobriram.

— Você sabia?

— Descobri anos depois.

— Paulo roubou meu dinheiro?

— Paulo acreditava que aquele dinheiro estava destruindo nossa família.

Gustavo riu, incrédulo.

— Então decidiu ficar com ele?

— Não foi para nós.

Todos ficaram em silêncio.

— Como assim? — perguntei.

Vera caminhou até uma estante e retirou uma pasta escondida atrás de alguns livros.

— Paulo nunca ficou com a maior parte.

Dentro havia comprovantes antigos.

Transferências.

Datas.

Valores.

Gustavo examinou as folhas.

— Para onde foi?

Roberto aproximou-se.

Seu rosto perdeu a cor.

— Instituto Horizonte?

Vera assentiu.

— O que é isso? — perguntei.

— Era uma instituição para crianças com doenças graves — Roberto respondeu. — Fechou há quase vinte anos.

Gustavo folheou os documentos.

— Meu dinheiro foi doado?

— Uma parte — Vera disse. — Mas não por caridade.

Ela retirou uma fotografia da pasta.

Mostrava Paulo ao lado de um menino de aproximadamente seis anos, muito magro, em uma cama de hospital.

— Quem é essa criança? — Gustavo perguntou.

Vera começou a chorar.

— O motivo pelo qual Paulo aceitou falsificar sua morte no fundo.

Gustavo ficou imóvel.

— Quem?

Antes que Vera respondesse, a porta do apartamento se abriu.

Paulo entrou.

Trazia uma caixa metálica nas mãos.

— Chega, Vera.

Colocou-a sobre a mesa.

— Se eles chegaram até o Instituto Horizonte, precisam saber tudo.

Vera ficou desesperada.

— Paulo, não envolva o menino nisso.

— Ele não é mais menino.

Gustavo encarou o pai.

— Quem era aquela criança?

Paulo abriu a caixa e retirou um prontuário antigo.

No topo havia uma fotografia do mesmo garoto.

Embaixo, um nome.

Paulo entregou o documento a Gustavo.

Eu li por cima do ombro dele.

Henrique Azevedo.

Gustavo levantou os olhos.

— Meu dinheiro pagou o tratamento do Henrique?

— Sim — Paulo respondeu. — Mas isso não é o pior.

Ele retirou outra folha.

— Vicente sabia.

— Por que ele permitiria isso?

Paulo me encarou.

— Porque Henrique estava morrendo e precisava de um transplante.

Senti um frio percorrer meu corpo.

— Que transplante?

— Medula óssea.

Gustavo franziu o cenho.

Paulo continuou:

— Nenhum parente compatível foi encontrado.

Então seus olhos pousaram em Gustavo.

— Até testarem você.

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