Entretenimento

Uma Executiva Mandou A Faxineira Sair Pela Porta Dos Fundos — Até O Bilionário Abraçá-La Diante De Todos E Revelar Um Segredo De 40 Anos

Renata permaneceu na entrada do corredor, olhando para o envelope como se todo o resto tivesse deixado de existir. Até aquele momento, eu ainda podia acreditar que o comportamento dela no salão tinha sido apenas arrogância, aquele tipo de desprezo que algumas pessoas reservam a quem usa uniforme e trabalha nos bastidores. Mas a maneira como seus olhos se fixaram no papel mudou tudo. Ela não estava curiosa. Estava assustada.

— Me entrega isso, Lúcia — repetiu, agora mais baixo.

Segurei o envelope com mais força.

— Você nem sabe o que tem aqui.

Renata demorou um segundo a mais do que deveria.

— Não preciso saber. Esses documentos podem pertencer à empresa.

Célia soltou uma risada nervosa.

— Engraçado. Há cinco minutos você nem sabia que esse envelope existia.

Renata lançou um olhar tão duro para ela que Célia imediatamente se calou.

Eu me coloquei entre as duas.

— O que aconteceu com Marta?

— Não faço ideia — respondeu Renata.

— Então por que está com tanto medo do que ela deixou?

A pergunta ficou suspensa entre nós. Renata abriu a boca, mas passos vindos do salão interromperam sua resposta. Augusto apareceu primeiro, seguido por Marcelo. Bastou olhar para nossos rostos para perceber que alguma coisa havia acontecido.

— Lúcia?

Renata mudou imediatamente de postura.

— Senhor Augusto, acho melhor voltarmos ao evento. Isso é uma questão interna dos funcionários terceirizados.

Augusto nem olhou para ela.

— Lúcia, está tudo bem?

Entreguei o envelope a ele.

— Uma funcionária que supostamente foi transferida deixou isso antes de sumir.

Marcelo ficou tenso.

— Marta?

Olhei para ele.

— Você conhece esse nome?

— Recebi uma reclamação dela há algumas semanas.

A revelação me surpreendeu.

— Então por que ninguém fez nada?

Marcelo respirou fundo.

— Porque quando pedi ao RH os documentos, fui informado de que ela tinha solicitado transferência voluntária e retirado a denúncia.

Célia balançou a cabeça.

— Marta nunca retiraria aquilo.

Augusto abriu o envelope.

Dentro havia cópias de holerites, planilhas, comprovantes bancários e algumas folhas escritas à mão. Aproximamo-nos enquanto ele examinava os documentos. Eu reconheci imediatamente vários nomes. Eram pessoas da equipe de limpeza: Antônio, Sônia, Jandira, Paulo. Em cada folha havia descontos pequenos. Oitenta reais. Cento e vinte. Cento e cinquenta. Valores suficientemente baixos para parecerem erros administrativos quando analisados isoladamente.

Mas havia dezenas deles.

Talvez centenas.

— Isso acontece há quanto tempo? — Augusto perguntou.

— Pelo menos quatro meses comigo — respondi. — Talvez mais com os outros.

Marcelo pegou uma das planilhas.

— Aqui aparecem registros de quase dois anos.

Meu estômago se apertou.

Augusto continuou folheando até encontrar uma página marcada com caneta vermelha.

Seu rosto mudou.

— Marcelo.

Ele entregou a folha ao diretor.

Marcelo leu e ficou imóvel.

— O que é? — perguntei.

Ele virou o documento para mim.

Havia uma lista de pagamentos mensais da empresa terceirizada para uma consultoria. Eu não entendia muito daqueles códigos, mas reconheci que os valores eram altos demais para terem qualquer relação com nossos salários.

— Que empresa é essa? — perguntei.

Marcelo respondeu:

— RVM Consultoria Empresarial.

Foi então que ouvi um ruído atrás de nós.

Renata havia dado um passo para trás.

Augusto percebeu.

— Você conhece essa empresa?

— Não.

A resposta veio rápido demais.

Marcelo continuou examinando o documento.

— Curioso.

— O quê?

— As iniciais.

Renata ficou vermelha.

— Está insinuando alguma coisa?

— Não estou insinuando nada.

Augusto ergueu a mão.

— Chega. Ninguém vai acusar ninguém sem provas.

Renata respirou aliviada.

Mas Augusto ainda não havia terminado.

— E ninguém vai sair deste prédio levando qualquer documento relacionado a isso.

Pela primeira vez naquela noite, vi verdadeiro pânico no rosto dela.

— Senhor Augusto, eu tenho um compromisso.

— Então desmarque.

— O senhor não pode me manter aqui.

— Não estou mantendo. Pode ir quando quiser. Mas amanhã de manhã haverá uma auditoria independente.

Renata empalideceu.

— Auditoria?

— Completa.

Ela pegou o celular.

— Preciso fazer uma ligação.

E saiu rapidamente pelo corredor.

Augusto fez menção de segui-la, mas segurei seu braço.

— Deixa.

— Lúcia...

— Se ela estiver envolvida, assustada vai cometer algum erro.

Ele me encarou por alguns segundos e então sorriu de lado.

— Foi assim que você conseguiu descobrir quem roubava dinheiro do caixa naquela empresa velha?

— Você ainda lembra disso?

— Eu lembro de tudo.

Célia se aproximou de mim.

— Tem mais uma coisa.

Ela apontou para o fundo do envelope.

Havia um pequeno cartão de memória preso com fita adesiva.

Marcelo encontrou um notebook numa sala de apoio. Sentamo-nos em torno da mesa enquanto ele inseria o cartão.

Havia várias pastas.

“Folhas.”

“Contratos.”

“Transferências.”

E uma chamada simplesmente de “REUNIÕES”.

Marcelo abriu.

Dentro havia arquivos de áudio.

Célia levou a mão à boca.

— Marta gravou alguém.

O primeiro arquivo tinha quase quarenta minutos.

Marcelo apertou o play.

Durante alguns segundos ouvimos apenas ruídos, cadeiras sendo arrastadas e uma porta fechando. Depois surgiu uma voz masculina desconhecida.

“Os funcionários não vão perceber valores pequenos.”

Outra voz respondeu:

“Alguns já perceberam.”

Então ouvimos uma terceira voz.

Eu a reconheci imediatamente.

Renata.

“Quem reclamar, transfere. Quem insistir, substitui.”

Augusto ficou imóvel.

Marcelo parou a gravação.

Ninguém disse nada.

Eu deveria ter sentido satisfação.

Não senti.

Porque naquele instante entendi que Marta tinha colocado a própria segurança em risco para conseguir aquelas provas.

— Precisamos encontrar ela — falei.

Marcelo assentiu.

— Amanhã cedo vou procurar o endereço cadastrado.

Célia abaixou os olhos.

— Não precisa.

Todos olharam para ela.

— Eu sei onde Marta está.

— Onde?

Célia demorou para responder.

— Na casa da irmã, em Guarulhos. Ela está escondida.

Augusto franziu a testa.

— Escondida de quem?

Antes que Célia pudesse explicar, meu celular vibrou.

Número desconhecido.

Atendi.

— Alô?

Silêncio.

Depois ouvi uma respiração nervosa.

— Dona Lúcia?

Meu coração acelerou.

— Quem está falando?

— É a Marta.

Levantei imediatamente.

— Marta, onde você está?

— Não posso falar muito.

Sua voz tremia.

— Você está bem?

— Escuta. O envelope não conta tudo.

Olhei para Augusto.

— O que falta?

Houve outro silêncio.

Então Marta disse algo que fez meu sangue gelar.

— Renata não comandava aquilo. Ela recebia ordens.

— De quem?

Ouvi um barulho do outro lado da linha, como uma porta sendo aberta.

Marta começou a respirar mais rápido.

— Tem alguém aqui.

— Marta?

— Dona Lúcia, olha a última transferência. Não o nome da empresa. Olha quem autorizou.

A ligação caiu.

Marcelo imediatamente voltou para as planilhas.

Augusto se aproximou.

Encontramos a última página.

No rodapé havia uma autorização eletrônica.

Marcelo leu primeiro.

E perdeu a cor.

— Isso não pode estar certo.

Augusto arrancou o documento das mãos dele.

Durante alguns segundos, ficou olhando para a assinatura digital sem dizer uma palavra.

Então ergueu os olhos.

— Essa autorização saiu da minha conta corporativa.

No comments yet