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Uma Executiva Mandou A Faxineira Sair Pela Porta Dos Fundos — Até O Bilionário Abraçá-La Diante De Todos E Revelar Um Segredo De 40 Anos

Augusto leu o bilhete uma segunda vez e depois o colocou sobre a mesa com uma calma que me assustou mais do que se tivesse gritado. “Procurem quem está fingindo ser Eduardo.” Depois de tudo o que havíamos descoberto, aquelas palavras destruíam novamente a única certeza que ainda tínhamos.

Marcelo correu até o corredor. Osvaldo já havia desaparecido. A segurança verificou as câmeras e encontrou a imagem dele entrando num elevador de serviço menos de um minuto antes. No térreo, saiu pela garagem e entrou num táxi.

— Ele planejou isso — disse Augusto.

Marta continuava diante do computador.

— E talvez tenha planejado muito mais.

Ela abriu o documento que continha minha assinatura falsificada. O arquivo fora criado seis meses antes, mas havia sido alterado naquela mesma semana. O usuário responsável pela última modificação era uma conta antiga pertencente a Osvaldo.

— Então ele está envolvido — disse Marcelo.

— Ou quer que acreditemos nisso — respondi.

Augusto me olhou.

— Ainda confia nele?

— Não. Mas aprendi esta noite que acreditar na primeira explicação é exatamente o que essas pessoas esperam que façamos.

Marta começou a cruzar os registros do sistema com os documentos encontrados no cofre. Pouco a pouco, surgiu uma inconsistência. Os pagamentos recentes atribuídos a Eduardo eram autorizados por certificado digital, mas nenhum registro mostrava Eduardo comparecendo pessoalmente a bancos, cartórios ou reuniões havia quase três anos.

— Talvez esteja doente — Marcelo sugeriu.

— Ou morto — respondi.

O silêncio que se seguiu confirmou que todos tinham pensado na mesma possibilidade.

Augusto telefonou para um advogado de confiança e pediu uma verificação urgente de registros públicos relacionados a Eduardo Ferraz. Quarenta minutos depois veio a primeira resposta: oficialmente, Eduardo estava vivo. Seus documentos permaneciam ativos. Empresas continuavam apresentando procurações em seu nome.

Mas havia um detalhe.

Todas as procurações dos últimos três anos haviam sido assinadas pelo mesmo representante.

Sérgio Valente.

— Então Sérgio pode estar fingindo que Eduardo ainda administra tudo — disse Marta.

— Isso não explica o bilhete — Augusto respondeu. — Osvaldo escreveu “quem está fingindo ser Eduardo”, não “quem está agindo em nome dele”.

Meu telefone vibrou.

Uma mensagem de número desconhecido.

Era um endereço na região dos Jardins e uma frase:

“Se quiser saber quem morreu há três anos, venha antes das quatro. Sozinha.”

Augusto leu por cima do meu ombro.

— Você não vai.

— Claro que não vou sozinha.

Desta vez ele não discutiu.

As informações foram repassadas às autoridades que já analisavam os documentos. Seguimos para o endereço acompanhados discretamente. Era uma clínica particular pequena, quase escondida entre prédios residenciais.

Uma médica idosa nos recebeu.

Quando mencionei Eduardo Ferraz, ela empalideceu.

— Quem mandou vocês?

— Osvaldo Mendes.

Ela fechou a porta.

— Então finalmente decidiu terminar o que começou.

Augusto se aproximou.

— Eduardo está vivo?

A médica olhou diretamente para ele.

— Eduardo Ferraz morreu há três anos e dois meses.

Augusto ficou imóvel.

— Tem certeza?

— Eu estava presente.

Ela explicou que Eduardo sofria de uma doença grave e evitara hospitais nos últimos meses. Sérgio organizava médicos particulares e exigia absoluto sigilo. Quando Eduardo morreu, nenhum registro oficial foi feito imediatamente.

— Isso é crime — disse Marcelo.

— Eu sei. Fui ameaçada. Disseram que minha família perderia tudo se eu falasse.

— E o corpo?

A médica abaixou os olhos.

— Não sei o que fizeram depois.

Augusto precisou se apoiar na cadeira.

A notícia produzia uma emoção contraditória. O homem que acabara de descobrir ser seu pai biológico já estava morto havia anos. Não haveria confronto. Nenhuma pergunta respondida diretamente.

— Então quem mandou fazer meu exame de DNA? — perguntou.

A médica abriu uma gaveta.

— Eduardo.

Todos ficamos confusos.

— Mas o exame é recente.

— O resultado é recente. A amostra dele foi preservada antes da morte.

Ela entregou uma cópia de uma declaração.

Eduardo havia solicitado que o teste fosse realizado quando Augusto aceitasse voluntariamente fornecer material genético.

— Eu nunca aceitei.

— Então alguém conseguiu sua amostra sem consentimento.

Sérgio.

Talvez Renata.

Talvez alguém ainda mais próximo.

— Eduardo deixou testamento? — perguntei.

A médica assentiu.

— E uma gravação.

Augusto levantou os olhos.

— Onde?

— Osvaldo ficou com ela.

Outra vez, Osvaldo.

Tudo voltava para ele.

Foi então que Augusto recebeu uma ligação.

Era Sérgio.

Ele colocou no viva-voz.

— Finalmente — disse Augusto.

Sérgio parecia estranhamente tranquilo.

— Imagino que já saiba que Eduardo morreu.

— Você manteve um morto controlando empresas durante três anos.

— Não exatamente.

— Então explica.

— Às quatro horas. No escritório antigo de Eduardo.

— Por quê?

— Porque Osvaldo estará lá.

Augusto olhou para mim.

— E Renata?

Houve silêncio.

— Renata cometeu erros. Assim como Marcelo. Assim como eu.

— E você acha que isso apaga o que fizeram?

— Não. Mas quando vir o que Osvaldo está tentando fazer, talvez perceba que nós não somos o maior problema.

A ligação terminou.

Às três e cinquenta, chegamos ao endereço indicado com toda a cautela necessária. O local já estava sendo acompanhado. Não haveria encontro secreto nem aventura improvisada.

Subimos.

A porta do escritório estava aberta.

Sérgio estava sentado de um lado de uma grande mesa.

Renata estava perto da janela.

Osvaldo permanecia do outro lado.

Nenhum deles parecia surpreso em nos ver.

— Finalmente — disse Osvaldo.

Augusto colocou o exame de DNA sobre a mesa.

— Quero a verdade inteira.

Osvaldo retirou um pequeno gravador.

— Então escute seu pai.

A voz de Eduardo surgiu no aparelho, fraca, envelhecida.

“Augusto, se você está ouvindo isto, eu já morri.”

Augusto fechou os olhos.

A gravação continuou.

Eduardo admitia fraudes antigas, reconhecia ter destruído financeiramente Antônio e confirmava que suspeitava ser pai biológico de Augusto. Dizia também que passara os últimos anos tentando desfazer parte do que fizera.

Então veio o nome de Osvaldo.

“Não confie nele.”

Osvaldo desligou o aparelho.

— O resto não importa.

Augusto avançou.

— Ligue novamente.

— Não.

Sérgio levantou-se.

— Deixe tocar, Osvaldo.

Os dois homens se encararam.

Naquele instante percebi que eles não estavam do mesmo lado.

Renata começou a chorar silenciosamente.

— Chega. Vocês destruíram vidas demais.

Ela abriu a bolsa e retirou um pen drive.

— Eu tenho a gravação completa.

Osvaldo ficou branco.

— Renata...

— Você disse que minha mãe perderia o tratamento se eu não obedecesse. Disse que Sérgio mandava em tudo. Era mentira.

Ela entregou o dispositivo a Augusto.

Marta conectou-o ao notebook.

A voz de Eduardo voltou.

“Se Osvaldo tentar usar Lúcia para reivindicar os ativos, existe uma coisa que ele não sabe.”

Osvaldo correu em direção ao computador, mas Marcelo o impediu.

A gravação continuou:

“Lúcia nunca foi escolhida porque tinha direito ao dinheiro.”

Meu coração disparou.

“Eu coloquei o nome dela nos documentos porque precisava de alguém cuja assinatura Osvaldo jamais conseguiria obter voluntariamente.”

Olhei para Osvaldo.

Ele estava imóvel.

Eduardo então revelou que os supostos ativos escondidos eram uma armadilha jurídica criada para identificar quem tentasse movimentá-los. Qualquer transferência usando minha assinatura provaria a fraude.

Osvaldo havia acabado de fazer exatamente isso.

Mas a gravação ainda não terminara.

“Existe apenas uma pessoa que conhece a localização do patrimônio verdadeiro.”

Augusto apertou a borda da mesa.

A voz de Eduardo pronunciou o nome.

“Lúcia.”

Balancei a cabeça imediatamente.

— Eu não sei de patrimônio nenhum.

Então Eduardo explicou:

“Ela não sabe que sabe.”

Meu sangue gelou.

“Quase quarenta anos atrás, entreguei a Lúcia algo que ela provavelmente considerou sem valor. Se ela ainda tiver aquilo, encontrará a única conta que Sérgio e Osvaldo nunca localizaram.”

A gravação terminou.

Todos olharam para mim.

E então me lembrei.

Não da caixa.

Não da pasta azul.

De algo muito menor.

Um presente que Eduardo me dera no último Natal antes de a empresa fechar.

Um relógio barato, segundo ele.

Eu nunca o usara.

Mas ainda o guardava.

E dentro daquele relógio havia uma pequena gravação que eu sempre acreditara ser apenas um número de série.

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