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Uma Executiva Mandou A Faxineira Sair Pela Porta Dos Fundos — Até O Bilionário Abraçá-La Diante De Todos E Revelar Um Segredo De 40 Anos

Augusto releu a última página três vezes. A mão que segurava o documento continuava firme, mas eu o conhecia o suficiente para perceber o que os outros talvez não percebessem: aquela pequena contração no maxilar significava que ele estava tentando controlar a raiva.

— Minha conta corporativa exige autenticação em duas etapas — disse finalmente. — Não basta saber minha senha.

Marcelo puxou o notebook para perto.

— Então alguém teve acesso ao seu celular?

— Ou ao dispositivo autorizado pelo sistema.

Célia nos observava sem entender completamente.

— Isso significa que foi o senhor quem aprovou?

Augusto ergueu os olhos.

— Significa que alguém quis fazer parecer que fui eu.

A frase tornou tudo mais grave. Até então estávamos diante de possíveis desvios contra funcionários terceirizados. Agora havia alguém usando a identidade digital de um dos principais investidores da empresa.

Pensei imediatamente em Marta.

— Ela disse para olhar a autorização porque sabia que encontraríamos seu nome.

— E sabia que a ligação poderia ser interrompida — completou Marcelo.

Peguei meu celular.

— Vou ligar novamente.

Chamou uma vez.

Duas.

Na terceira, alguém recusou.

Tentei de novo.

Desligado.

— Precisamos ir até ela — falei.

Marcelo hesitou.

— Talvez seja melhor chamar a polícia.

— E dizer o quê? Que recebemos uma ligação que caiu?

Augusto já estava pegando o paletó.

— Vamos primeiro confirmar se Marta está segura. Se houver qualquer sinal de ameaça, acionamos a polícia imediatamente.

Célia nos passou o endereço da irmã de Marta. Augusto pediu que um funcionário de confiança guardasse o envelope e fizesse cópias digitais de tudo. Renata, porém, tinha desaparecido.

Marcelo tentou ligar.

Nada.

Quando chegamos ao estacionamento, percebi algo que me incomodou.

O carro dela ainda estava lá.

— Augusto.

Apontei.

Marcelo reconheceu o veículo.

— É dela.

Augusto olhou ao redor.

— Então ela não foi embora de carro.

Na saída do estacionamento, o segurança nos chamou.

— Senhor Marcelo?

Ele parecia constrangido.

— A doutora Renata pediu um carro por aplicativo uns dez minutos atrás.

— Estava sozinha?

O homem pensou.

— Não. Um senhor entrou no carro com ela.

— Quem?

— Não sei o nome. Já vi ele algumas vezes aqui.

Marcelo abriu uma fotografia no celular.

— Era algum funcionário?

O segurança balançou a cabeça.

— Não. Mais velho. Uns sessenta anos. Sempre vem para reuniões da administração.

Augusto ficou sério.

— Como ele era?

O segurança descreveu um homem alto, cabelos grisalhos, óculos de armação fina e uma pequena cicatriz perto da sobrancelha.

Marcelo parou de respirar por um instante.

— Não pode ser.

— Quem? — perguntei.

Ele olhou para Augusto.

— Sérgio Valente.

Augusto não respondeu.

Mas eu vi alguma coisa passar pelo rosto dele.

Não surpresa.

Reconhecimento.

— Quem é Sérgio? — perguntei.

Augusto abriu a porta do carro.

— Meu antigo diretor financeiro.

Durante o caminho até Guarulhos, ele explicou. Sérgio tinha trabalhado ao lado dele durante quase quinze anos. Era uma das poucas pessoas que possuíam autorização para determinadas operações financeiras. Dois anos antes, deixara a empresa depois de uma suposta divergência estratégica.

— Ele tinha acesso à sua conta? — perguntei.

— Antigamente.

— E depois que saiu?

— Todas as permissões deveriam ter sido canceladas.

“Deveriam.”

Aquela palavra ficou martelando na minha cabeça.

Chegamos à casa da irmã de Marta pouco depois das onze. Era uma rua tranquila. A luz da varanda estava acesa.

Bati.

Ninguém respondeu.

Célia chamou:

— Marta!

Silêncio.

Augusto apontou para a porta.

Estava entreaberta.

Meu coração disparou.

— Marta?

Entramos com cautela. A sala estava vazia. Não havia sinais de violência, apenas uma xícara ainda morna sobre a mesa e uma bolsa aberta sobre o sofá.

— Ela estava aqui há pouco — falei.

Marcelo olhou pela janela.

— Tem alguém no quintal.

Era uma mulher de pijama.

Quando nos viu, levou um susto.

— Quem são vocês?

Célia correu até ela.

— Sandra? Sou eu, Célia.

A mulher reconheceu-a.

— Graças a Deus.

— Cadê a Marta?

Sandra apontou para os fundos.

— Foi embora.

— Com quem?

— Não sei. Ela recebeu uma ligação e ficou desesperada. Disse que vocês tinham encontrado o envelope.

Senti um arrepio.

— Como ela sabia?

— Não sei.

Sandra entrou na sala e pegou um papel sobre a mesa.

— Antes de sair, deixou isso.

Era apenas um número escrito à mão.

Augusto reconheceu imediatamente.

— É um número de contrato.

Marcelo digitou no sistema pelo notebook.

Poucos segundos depois, apareceu um registro.

Um contrato de consultoria firmado quase três anos antes.

Contratada: RVM Consultoria Empresarial.

Representante legal: Sérgio Valente.

Mas havia outra informação.

— Olha a data — falei.

O contrato tinha sido renovado quatro meses antes.

Exatamente quando os descontos no meu salário começaram.

Marcelo abriu os detalhes.

— Renovação aprovada pela diretoria executiva.

Augusto aproximou o rosto da tela.

— Por quem?

Marcelo rolou a página.

Seu olhar mudou.

— Renata.

Agora havia uma ligação concreta entre os dois.

Mas alguma coisa ainda não fazia sentido.

— Se Marta descobriu isso — perguntei — por que fugir agora?

Sandra respondeu atrás de nós:

— Porque não foi isso que assustou minha irmã.

Viramos.

Ela segurava um segundo celular.

— Marta deixou este aparelho comigo há três dias. Disse que, se alguma coisa acontecesse, eu deveria entregar para uma mulher chamada Lúcia.

Meu corpo inteiro ficou rígido.

— Para mim?

Sandra assentiu.

Peguei o aparelho.

Não havia senha.

Na galeria existiam apenas cinco fotografias. As quatro primeiras mostravam documentos bancários.

A quinta fez Augusto se sentar.

Era uma fotografia antiga, tirada aparentemente dentro de um restaurante.

Sérgio estava numa mesa.

Renata ao lado dele.

E diante dos dois havia um terceiro homem.

Marcelo aproximou-se da tela e empalideceu.

Eu nunca tinha visto aquele homem.

Mas Augusto, sim.

— Quem é? — perguntei.

Ele demorou tanto a responder que senti medo da resposta.

— Eduardo Ferraz.

— E quem é Eduardo Ferraz?

Augusto continuou olhando para a fotografia.

— O homem que tentou destruir minha empresa quinze anos atrás.

— Então por que ele está reunido com Renata e Sérgio?

Augusto ampliou a imagem.

Foi quando percebemos um detalhe sobre a mesa.

Um documento.

No canto inferior aparecia parte de um nome.

O meu.

“Lúcia Ferreira.”

Minha garganta secou.

— Por que eles têm um documento com meu nome?

Ninguém respondeu.

Então o segundo celular vibrou na minha mão.

Uma mensagem acabara de chegar.

Não havia nome do remetente.

Apenas uma frase:

“Se Lúcia ainda não sabe por que Augusto conseguiu aquele primeiro emprego, não contem a ela.”

Olhei para Augusto.

Pela primeira vez desde que ele saíra daquele elevador, vi medo verdadeiro nos olhos dele.

— Augusto...

Ele baixou lentamente o celular.

— Lúcia, existe uma coisa sobre aquele emprego que eu nunca tive coragem de contar para você.

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