Entretenimento

Minha Irmã Rasgou Meu Convite De Casamento — Nove Dias Depois, Descobri O Segredo Que Minha Família Escondeu Por 30 Anos

Mostrei a mensagem a Márcia.

Foi um erro.

No instante em que leu a última frase, ela perdeu a cor e precisou se apoiar na mesa. Beatriz percebeu antes de mim.

— Você sabe alguma coisa.

— Não aqui — Márcia respondeu.

— Aqui mesmo — eu disse. — Eu passei trinta anos vivendo dentro de uma história que vocês escolheram para mim. Acabou.

Renato pediu que encerrássemos o acesso ao cofre. Guardamos os documentos, mas levei comigo as cópias, a carta de Augusto e o cartão de memória. Felipe insistiu em acompanhar nossa volta. Eu não queria ficar perto dele, porém também não confiava mais em ninguém o suficiente para dispensar testemunhas.

Na casa de Márcia, coloquei o celular sobre a mesa.

— Quem pode ter enviado isso?

— Eduardo — Beatriz respondeu.

Minha mãe negou imediatamente.

— Se ele estivesse vivo, teria procurado Carolina.

— Alberto disse que ele tentou voltar — lembrei. — E encontrou Carolina morta.

Márcia começou a chorar.

— Sua irmã morreu por complicações do parto? — perguntei.

Ela não respondeu.

— Mãe.

Dessa vez chamei assim porque, apesar de tudo, era isso que ela ainda era para mim.

— Carolina teve complicações, sim. Mas estava se recuperando. No terceiro dia, ela recebeu uma visita.

Felipe se aproximou.

— Quem?

— Alberto.

O nome caiu como uma pedra.

Márcia contou que ouvira uma discussão no quarto. Carolina exigia documentos e dizia que Eduardo havia deixado instruções para ela. Alberto insistia que Eduardo estava morto e que a participação da Costa Norte precisava permanecer sob administração dele. Pouco depois, Alberto saiu furioso.

— E Carolina?

— Ficou desesperada. Disse que precisava sair do hospital naquela noite.

— Três dias depois de dar à luz?

— Eu tentei impedir. Augusto também. Algumas horas depois, ela piorou de repente.

Minha garganta fechou.

— O que aconteceu?

— Uma hemorragia. Foi o que nos disseram.

— E você acreditou?

Márcia demorou.

— Durante anos.

— Até quando?

Ela foi até o quarto e voltou com uma pasta antiga. Dentro havia uma folha dobrada.

— Até encontrar isso nas coisas de Augusto depois da morte dele.

Era uma cópia parcial do prontuário de Carolina. Havia uma anotação feita na noite em que morreu. Alguém registrara que ela havia apresentado sangramento intenso depois de tentar deixar o quarto sem autorização.

— Então foi uma complicação médica — Felipe disse.

— Talvez — respondeu Márcia. — Mas a página seguinte desapareceu do prontuário original.

Beatriz ficou inquieta.

— Sempre páginas desaparecendo.

Eu olhei novamente para a mensagem.

23h30.

Faltavam pouco mais de duas horas.

— Eu vou ao endereço.

Felipe reagiu imediatamente.

— Sozinha, não.

— A mensagem exige isso.

— Justamente por isso.

— Eu não vou deixar de descobrir quem está fazendo isso porque você está com medo.

Ele me encarou.

— Não estou com medo por mim.

A frase me atingiu, mas não mudou minha decisão.

Beatriz sugeriu uma solução: eu iria aparentemente sozinha, enquanto ela e Felipe permaneceriam a uma distância segura. Márcia protestou, porém eu já tinha decidido.

O endereço ficava no bairro do Santo Antônio Além do Carmo. Era uma casa antiga, estreita, numa rua tranquila. Às 23h28, parei diante da porta azul indicada na mensagem.

Entrei.

A sala estava vazia.

Sobre uma mesa havia um gravador antigo e um envelope com meu nome.

— Tem alguém aqui?

Nenhuma resposta.

Abri o envelope.

Dentro havia uma fotografia de Carolina segurando um bebê.

Eu.

No verso, uma frase:

“Márcia prometeu que nunca contaria quem estava no hospital naquela noite.”

Meu coração disparou.

O gravador começou a tocar sozinho.

Uma voz masculina envelhecida encheu a sala.

— Juliana, se você chegou até aqui, significa que encontrou o cofre.

Fiquei imóvel.

— Meu nome é Eduardo Vasconcelos.

A gravação continuou.

— Eu não posso aparecer ainda. Há alguém acompanhando cada movimento ligado à Costa Norte. E essa pessoa não é Helena Farias.

Ouvi um ruído atrás de mim e me virei, assustada.

Nada.

Eduardo continuava falando.

— Carolina acreditava que Alberto estava tentando roubar sua participação. Ela estava errada sobre uma coisa. Alberto não era quem mais tinha a perder se ela reivindicasse aquelas ações.

A gravação falhou.

Aproximei-me.

— Quem?

Como se pudesse responder, a voz retornou.

— Havia um quarto sócio.

Meu coração acelerou.

— O nome dele foi retirado de todos os documentos depois da morte de Carolina.

Então ouvi passos no corredor.

Peguei o celular.

— Felipe?

Uma figura apareceu na porta.

Era Helena.

— O que você está fazendo aqui?

Ela fechou a porta atrás de si.

— Impedindo você de cometer o mesmo erro que Carolina.

— Você me seguiu?

— Não. Eu recebi uma mensagem igual à sua.

Helena colocou sobre a mesa a chave que havia levado da casa de Márcia.

— Eu não roubei isso para esconder a verdade. Peguei porque sabia que alguém tentaria abrir o cofre hoje.

— Quem?

Antes que respondesse, o gravador voltou a tocar.

“Se Helena estiver com você, faça uma pergunta.”

Nós duas olhamos para o aparelho.

“Pergunte quem era o quarto sócio.”

Helena fechou os olhos.

— Você sabe — eu disse.

Ela assentiu.

— Sei.

— Então fala.

— O quarto sócio era alguém em quem Augusto confiava mais do que em Alberto. Alguém que tinha acesso à sua casa, aos documentos e a Carolina.

A porta atrás de nós se abriu bruscamente.

Felipe entrou com Beatriz.

— Juliana, precisamos sair daqui.

— O que aconteceu?

Ele levantou o celular.

— Alguém entrou na casa da sua mãe.

Meu sangue gelou.

— Márcia está lá?

— Estava.

— Estava?

Beatriz respondeu, ofegante:

— Ela sumiu.

Antes que eu pudesse reagir, Helena falou:

— Então ele finalmente voltou.

Olhei para ela.

— Quem?

Helena encarou a fotografia de Carolina.

— O quarto sócio.

— Qual é o nome dele?

Ela ergueu os olhos para mim.

— Roberto Almeida.

Meu coração parou por um instante.

Almeida.

— Quem é Roberto Almeida?

Beatriz ficou pálida antes mesmo de Helena responder.

— É o irmão de Augusto.

Meu tio Roberto.

O homem que minha família dizia ter morrido quando eu tinha seis anos.

No comments yet