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Minha Irmã Rasgou Meu Convite De Casamento — Nove Dias Depois, Descobri O Segredo Que Minha Família Escondeu Por 30 Anos

— Você matou Carolina?

A pergunta saiu antes que eu conseguisse pensar.

Márcia recuou como se eu tivesse batido nela.

— Não.

— Você acabou de dizer que entregou o medicamento.

— Entreguei. Mas eu não sabia que tinha sido alterado.

Beatriz enxugou as lágrimas.

— É isso que aparece na gravação, Ju.

Olhei para ela.

— Você ouviu isso onze anos atrás e nunca me contou?

— Eu tinha vinte e quatro anos. Augusto já tinha morrido, você tinha dezenove. Encontrei o compartimento no relógio por acaso. Quando ouvi aquela fita, fui até a mãe.

— E vocês decidiram esconder de mim.

— Decidimos descobrir primeiro se era verdade.

— Por onze anos?

Beatriz baixou os olhos.

A polícia havia conseguido deter Roberto perto do galpão. Eduardo prestava depoimento em outra sala, mas nada daquilo importava naquele instante. A mentira que mais doía não vinha de Roberto, Alberto ou Helena. Vinha das duas mulheres que tinham sentado à minha mesa em aniversários, segurado minha mão em enterros, me aconselhado sobre Felipe e observado enquanto eu construía uma vida sem conhecer sequer a história do meu próprio nascimento.

— Quero ouvir a gravação.

Márcia negou.

— Juliana...

— Agora.

Voltamos para casa acompanhados por dois investigadores. Beatriz retirou de dentro de um armário uma caixa de costura antiga. Sob o fundo falso estava o relógio de Augusto.

Ela abriu cuidadosamente a tampa traseira.

Dentro havia um minúsculo compartimento adaptado.

Não era uma fita.

Era um pequeno rolo de microcassete.

Felipe conseguiu um aparelho compatível através de um conhecido da família. Pouco depois das quatro da manhã, estávamos todos reunidos na sala.

A voz de Alberto surgiu primeiro.

“Carolina, abaixa a voz.”

Depois, a voz de uma mulher jovem.

Minha mãe.

A mulher que me dera à luz.

Ouvi-la pela primeira vez quase me destruiu.

“Você mentiu sobre Eduardo. Mentiu sobre Roberto. Mentiu sobre as ações. Eu vou contar tudo para Augusto.”

Alberto respondeu:

“Se fizer isso, vai destruir Márcia também.”

“Não use minha irmã.”

“Ela já está envolvida.”

Houve um ruído.

Então Carolina perguntou:

“O que você deu para ela?”

Alberto respondeu:

“Só pedi que entregasse seu remédio.”

Meu corpo inteiro ficou frio.

Márcia começou a chorar ao meu lado.

Na gravação, Carolina parecia compreender alguma coisa.

“Você trocou os comprimidos?”

Alberto demorou a responder.

“Eu precisava de tempo.”

Felipe levantou-se abruptamente.

— Meu pai...

Helena, que havia chegado pouco antes, fechou os olhos.

Mas a gravação continuou.

Carolina disse:

“Se eu morrer, você perde tudo.”

Alberto respondeu algo inesperado.

“Eu não quero que você morra.”

Depois veio uma frase ainda pior.

“Roberto trocou o frasco antes de eu chegar.”

Todos ficamos imóveis.

A gravação tornou-se confusa. Alberto acusava Roberto de tentar provocar uma complicação médica que parecesse natural. Carolina exigia provas. Então surgiu uma terceira voz.

Augusto.

“Eu tenho.”

Beatriz segurou minha mão.

Augusto continuou:

“Eu vi Roberto sair do quarto. E encontrei o frasco que ele deixou.”

A gravação terminou poucos minutos depois.

Não provava que Roberto havia causado a morte de Carolina. Mas provava que Augusto suspeitava dele e que Alberto sabia da adulteração antes que Márcia entregasse o medicamento.

— Por que Augusto não chamou a polícia? — perguntei.

Márcia respondeu:

— Chamou.

Olhei para ela.

— Então por que nunca houve investigação?

— Porque o frasco desapareceu antes de ser analisado.

— Quem pegou?

Ela olhou para Helena.

Helena ficou rígida.

— Não fui eu.

— Alberto? — Felipe perguntou.

— Também não.

Uma nova peça surgia, e mais uma vez alguém desconhecido estava no centro.

Foi Beatriz quem encontrou a resposta.

Dentro do relógio havia também um pedaço minúsculo de papel enrolado. Nele, Augusto escrevera um número de processo e um nome.

Dr. Álvaro Nogueira.

— Outro Nogueira — murmurei.

Helena ficou pálida.

— Eu conheço esse nome.

Álvaro era primo de Daniel e trabalhava como médico no hospital onde Carolina morreu.

Naquela manhã, os investigadores localizaram registros antigos. Álvaro havia sido o médico responsável por registrar oficialmente a causa da morte de Carolina.

E desaparecera de Salvador duas semanas depois.

— Ele está vivo? — perguntei.

Um investigador assentiu.

— Encontramos um endereço recente em Recife.

Felipe quis ir comigo.

Dessa vez, eu aceitei.

Não porque tivesse perdoado suas mentiras. Não tinha. Mas percebi que descobrir a verdade e decidir se ainda existia um futuro para nós eram problemas diferentes.

Antes de sairmos, procurei Helena.

— Por que você ligou para Beatriz?

Ela respirou fundo.

— Porque descobri que Felipe havia encontrado o acordo original. Eu sabia que, se vocês se casassem antes de Juliana reivindicar formalmente as ações, a administração da participação continuaria ligada aos Farias.

— Então queria impedir o casamento?

— Queria impedir que você assinasse o contrato pré-nupcial.

Felipe ficou imóvel.

— Que contrato?

Helena olhou para o filho.

— O documento que seu advogado preparou.

Ele franziu a testa.

— Meu advogado disse que era apenas separação patrimonial.

— Não era.

Helena abriu a bolsa e colocou uma cópia sobre a mesa.

Uma cláusula transferia poderes de voto sobre qualquer participação empresarial adquirida por herança durante o casamento para uma estrutura administrada conjuntamente.

Pelos Farias.

Felipe leu duas vezes.

— Eu nunca pedi isso.

— Eu sei — Helena respondeu. — Foi inserido depois.

— Por quem?

— Pelo advogado da família.

Meu coração apertou.

— Quem é?

Helena respondeu:

— Álvaro Nogueira Júnior.

O filho do médico que assinara a certidão de óbito de Carolina.

Naquele instante, o telefone de Felipe tocou.

Era justamente o advogado.

Felipe colocou no viva-voz.

— Álvaro?

Do outro lado, uma voz calma respondeu:

— Felipe, sua mãe está com você?

Ninguém falou.

— E Juliana?

Olhei para Felipe e assenti.

— Está.

Houve alguns segundos de silêncio.

Então Álvaro disse:

— Ótimo. Isso economiza tempo.

Minha pele arrepiou.

— Tempo para quê? — Felipe perguntou.

— Para explicar por que vocês não podem chegar até meu pai.

— Seu pai está vivo?

— Está.

— Então queremos falar com ele.

Álvaro soltou o ar lentamente.

— Meu pai não fugiu de Salvador porque ajudou Roberto.

— Então por quê?

— Porque guardou a única prova física da morte de Carolina.

Márcia levantou-se.

— O frasco.

— Sim.

Meu coração disparou.

— Onde está?

Álvaro ficou em silêncio por alguns segundos.

Quando respondeu, sua voz havia mudado.

— Comigo.

— Então entregue à polícia.

— Eu vou.

Pela primeira vez naquela noite, senti que talvez estivéssemos próximos do fim.

Até Álvaro completar:

— Mas existe uma condição. Juliana precisa ouvir meu pai antes.

— Por quê?

— Porque todos vocês estão tentando descobrir quem matou Carolina.

Uma pausa.

— E meu pai afirma que Carolina não foi a única pessoa que deveria morrer naquela noite.

Olhei para Felipe.

— Quem era a outra?

Álvaro respondeu:

— Você, Juliana.

Meu coração disparou.

— Eu era um bebê.

— Exatamente.

Então veio a frase que transformou toda a investigação.

— Segundo meu pai, o frasco adulterado não estava destinado a Carolina.

Silêncio.

— Estava destinado a você.

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