Entretenimento

Minha Irmã Rasgou Meu Convite De Casamento — Nove Dias Depois, Descobri O Segredo Que Minha Família Escondeu Por 30 Anos

— Meu tio Roberto morreu.

Eu disse aquilo com a certeza automática de quem repete uma verdade aprendida na infância. Lembrava vagamente dele: um homem alto, de voz grave, que aparecia em alguns almoços de domingo e sempre me trazia doces escondidos no bolso do paletó. Quando eu tinha seis anos, Márcia me contou que ele havia sofrido um acidente fora da Bahia. Depois disso, seu nome praticamente desapareceu das conversas familiares.

Helena me encarou.

— Não houve enterro, Juliana.

Olhei para Beatriz.

— Você sabia?

— Eu tinha onze anos. Lembro que perguntei por que não fomos ao velório. Mãe disse que o corpo seria enterrado em outro estado.

Meu estômago se contraiu.

— Felipe, liga para a polícia.

— Já liguei. Uma viatura está indo para a casa.

Corremos para o carro. Durante o trajeto, tentei ligar para Márcia repetidas vezes. O telefone tocava até cair na caixa postal. Nenhuma mensagem. Nenhum sinal.

Quando chegamos, a porta dos fundos estava aberta.

A polícia já estava lá.

Não havia sinais evidentes de violência. A bolsa de Márcia permanecia no quarto, assim como seus documentos. O celular foi encontrado no chão da cozinha.

Mas a caixa de madeira de Augusto havia desaparecido.

— Ela pode ter saído voluntariamente? — perguntou um dos policiais.

— Sem bolsa, telefone e documentos? — Beatriz respondeu.

Enquanto ela prestava informações, caminhei até o antigo escritório de Augusto. Uma gaveta estava aberta. Dentro dela, encontrei uma fotografia rasgada.

Roberto.

Virei a foto.

No verso havia uma data e duas palavras escritas por Augusto:

“Praia do Forte, 1996.”

O ano em que nasci.

Felipe apareceu atrás de mim.

— Juliana.

— Olha isso.

Na fotografia, Roberto estava ao lado de Augusto, Alberto e Eduardo.

Os quatro homens.

Atrás deles, quase escondida, estava Carolina.

— Então todos se conheciam — Felipe murmurou.

Helena entrou no escritório.

Quando viu a fotografia, ficou imóvel.

— Foi tirada duas semanas antes do acidente de Eduardo.

— Por que Roberto foi apagado dos documentos?

Ela demorou a responder.

— Porque ele desviou dinheiro da Costa Norte.

— Quanto?

— Muito. Mas não era só dinheiro. Roberto descobriu que Carolina era a verdadeira beneficiária de parte da empresa. Tentou convencê-la a transferir os direitos para ele.

— Ela recusou.

— Sim.

— E depois Eduardo sofreu o acidente.

Helena não respondeu.

— Você acha que Roberto tentou matá-lo?

— Alberto achava.

— E Carolina?

— Carolina descobriu alguma coisa no hospital.

Meu coração apertou.

— O quê?

— Não sei. Só sei que telefonou para Alberto naquela última noite e disse que havia entendido quem tinha provocado o acidente.

Beatriz entrou correndo no escritório.

— Ju.

Seu rosto me assustou.

— Encontraram a mãe?

— Não. Mas recebi uma mensagem do número dela.

Ela mostrou o celular.

Havia apenas uma fotografia.

Márcia estava sentada numa cadeira em um cômodo que eu não reconhecia. Não parecia ferida, mas segurava um jornal diante do peito.

Na página aparecia a data daquele dia.

Abaixo da fotografia veio uma mensagem:

“Tragam o conteúdo do cofre. Nada de polícia.”

Felipe imediatamente fotografou a tela para enviar aos investigadores.

Então chegou outra mensagem.

“Juliana vem sozinha.”

Senti o mesmo frio que havia sentido ao receber o endereço anterior.

— Não — Felipe disse.

— Não vou realmente sozinha.

Helena balançou a cabeça.

— Roberto conhece nossa família. Se for ele, vai prever isso.

— Então o que você sugere? Deixar minha mãe com ele?

— Sugiro descobrir primeiro o que ele quer.

Beatriz olhou para a fotografia.

— O conteúdo do cofre.

Foi quando me lembrei do cartão de memória.

— Nós vimos o vídeo de Alberto, mas não examinamos os outros arquivos.

Felipe pegou o notebook. O cartão parecia conter apenas o vídeo, mas Beatriz encontrou uma pasta oculta. Dentro havia arquivos digitalizados e uma planilha protegida por senha.

Tentamos datas, nomes, números.

Nada.

Então pensei em Carolina.

Digitei a data do meu nascimento.

A planilha abriu.

Centenas de registros financeiros apareceram.

Transferências antigas.

Contas no exterior.

Participações societárias.

Felipe ficou em silêncio enquanto percorria os dados.

— Isso prova que alguém desviou dinheiro da Costa Norte por anos.

— Roberto?

— Talvez.

Beatriz apontou para uma coluna.

— O que significa “R.A.”?

Helena se aproximou.

— Roberto Almeida.

Mas havia algo errado.

As transferências atribuídas a R.A. continuavam muito depois da suposta morte dele.

Até três meses atrás.

— Ele está vivo — murmurei.

Então encontrei uma linha diferente das outras.

Uma transferência realizada apenas quatro dias antes da morte de Carolina.

Beneficiário: M. Almeida.

Beatriz empalideceu.

— Márcia Almeida.

Olhei para minha irmã.

— Nossa mãe recebeu dinheiro?

Helena se inclinou sobre a tela.

O valor era enorme para a época.

— Isso não prova nada — Felipe disse.

Mas havia uma observação ao lado da transferência.

“Pagamento conforme acordo. Silêncio permanente sobre C.A.”

Carolina Almeida.

Senti o ar faltar.

Beatriz começou a negar com a cabeça.

— Não. Mãe nunca faria isso.

Meu celular tocou.

Número desconhecido.

Atendi.

— Juliana?

Era a voz de Márcia.

— Mãe! Onde você está?

Ouvi uma respiração trêmula.

— Não entregue os documentos.

— Quem está com você?

— Escuta. Aquela transferência não significa o que você pensa.

— Então me explica.

Houve um ruído do outro lado.

Márcia começou a falar depressa.

— O dinheiro foi colocado no meu nome porque Augusto precisava esconder de Roberto. Era para você. Para garantir que, se alguma coisa acontecesse...

A ligação falhou.

— Mãe!

Ela voltou por apenas alguns segundos.

— Juliana, Roberto não levou Carolina ao hospital naquela noite.

— Eu sei. Ela já estava lá.

— Não. Estou falando de antes de você nascer.

Fiquei imóvel.

— O quê?

A voz dela ficou quase inaudível.

— Carolina não entrou naquele hospital por causa do parto.

Um ruído forte interrompeu a frase.

Depois ouvi uma voz masculina ao fundo.

Márcia começou a chorar.

— Mãe!

Ela conseguiu dizer apenas mais uma frase:

— Você nasceu porque Carolina estava tentando fugir dele.

A ligação caiu.

Olhei para Helena.

— Fugir de quem?

Ela não respondeu.

Mas Beatriz, que ainda observava a planilha, apontou para uma última aba que não tínhamos aberto.

O título era simples:

PATERNIDADE.

Cliquei.

Havia quatro nomes.

Carolina Almeida.

Eduardo Vasconcelos.

Juliana Almeida.

E, na última linha, uma anotação feita por Alberto três anos antes:

“Resultado incompatível. Eduardo não é o pai biológico.”

Meu corpo inteiro gelou.

Se Eduardo não era meu pai, a certidão escondida no cofre também era uma mentira.

E abaixo daquela anotação havia outra frase:

“Segundo exame solicitado. Comparar amostra de Juliana com R.A.”

No comments yet